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Roda de conversa sobre desafios de atuação marca o Dia do Auditor Interno na CGE-MT

Bate-papo teve como convidados o cofundador da comunidade “Somos Auditores”, Wendel Abreu, e do especialista em Filosofia Clínica, Douglas Remonatto
Ligiani Silveira | CGE-MT

Cofundador da comunidade digital “Somos Auditores”, Wendel Abreu - Foto por: Ligiani Silveira - CGE/MT
Cofundador da comunidade digital “Somos Auditores”, Wendel Abreu
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Em referência ao Dia do Auditor Interno (20.11), a Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT) realizou na segunda-feira (21.11) uma roda de conversa sobre os desafios e as perspectivas de atuação do profissional. O bate-papo teve como convidados o auditor interno do Banco da Amazônia em Belém (PA) e cofundador da comunidade digital “Somos Auditores”, Wendel Abreu, e do especialista em Filosofia Clínica e instrutor da mentoria “Filosofia e Ética no Serviço Público” a servidores da CGE, Douglas Remonatto.

Para Wendel Abreu, o desafio do auditor é a construção de uma auditoria positiva, humanizada e útil para as organizações alcançarem seus objetivos. “Precisamos aprender a captar e gerenciar as expectativas dos interessados, colaborar como parte do todo, falar a linguagem das partes interessadas para sermos entendidos e sermos mais humanos na interação com as pessoas.”

A transformação envolve o equilíbrio entre aptidões técnicas e aptidões comportamentais para lidar com pessoas, processos e tecnologia. Não basta somente ter conhecimento técnico sobre como fazer uma auditoria e o objeto analisado. É preciso pensar fora da caixa para propor a solução de problemas e gerir conflitos, por exemplo.

“A mudança que os processos e a sociedade precisam depende muito do que fazemos do nosso trabalho. Não é o quê que levará a auditoria para o futuro, mas quem! E essa mudança só depende de nós”, observou o auditor do Banco da Amazônia.

Da interação com mais de 20 mil pessoas conectadas às redes sociais da comunidade “Somos Auditores”, o convidado falou de alguns perfis esperados do auditor interno. Entre eles, que o profissional conecte pessoas para compartilhar experiências, exerça liderança inspiradora, participe de transformações relevantes, apoie propósitos maiores que os seus, use seu conhecimento para promover o pensamento crítico e a análise de assuntos de forma sistêmica.

Olhar filosófico

Já o professor Douglas Remonatto levou os participantes à reflexão sobre o significado de ser auditor para a sociedade ao abordar a origem filosófica da atividade.

Na teoria de Aristóteles, a existência de instituições virtuosas tem mais valor do que a existência de governantes virtuosos. “Ele fala que não precisamos ter governantes virtuosos. Precisamos ter instituições virtuosas e sistemas de fiscalização virtuosos. Não precisaremos mais nos preocupar com políticos, porque, quando o Estado é forte, organizado e transparente, ele expurga os maus administradores. Quando Aristóteles traz isso, ele traz à tona o que vai ser depois a ideia da Controladoria”, comentou o professor.

Ele abordou também a teoria de Zygmunt Bauman sobre o trabalho na modernidade líquida. “A partir dos séculos XX e XXI, paramos de ver o trabalho como algo significativo. Isso é um problema, ainda mais para o auditor, porque estamos falando de um trabalho que tem uma função pública muito grande”, advertiu.

Remonatto abordou ainda a teoria de Jonh Locke sobre o conceito de justiça. “Para ele, um imposto é um roubo legítimo quando traz transparência, independência e justiça para a sociedade.  A causa de toda a violência cívica e social é o sentimento de injustiça. Quando o imposto é investido não só em juízes, mas na ideia de fiscalização, o cidadão passa a ter pelo menos um vislumbre de que o Estado está cuidando dessa injustiça”, destacou o professor.

Reflexão

Para a auditora do Estado Fabíola Dourado, o momento foi de exercitar a escuta, um dos atributos mais importantes do profissional. “Ouvir também é o verbo que define um dos significados do termo auditor. Celebrar o dia daquele que "ouve", "ouvindo" foi a melhor escolha que a CGE poderia ter oferecido para mim. Uma pausa para ouvir. Afinal, ouvir também é uma das formas de afiar o machado para retomar o caminho e recalcular rotas sempre que necessário.”

O auditor Marino Koch também considerou o evento produtivo por possibilitar uma reflexão sobre a atividade. “A roda de conversa foi valiosa no sentido de contextualizar como a profissão deve ser desenvolvida no momento atual para produzir resultados que tragam benefícios para a sociedade, principalmente no sentido da valorização do ser humano.”

Confira AQUI a galeria de imagens da roda de conversa.